Como desenvolver um projeto pessoal?

Quantas vezes você já teve uma ideia que parecia interessante o suficiente para pensar “eu gostaria muito de fazer isso”, mas acabou ficando apenas nisso?

Talvez você tenha vontade de criar um aplicativo, montar um portfólio, começar a produzir conteúdo, desenvolver uma identidade visual ou simplesmente testar alguma coisa que sempre despertou a sua curiosidade.

E isso não precisa necessariamente virar um negócio, mudar completamente a sua carreira ou se transformar em algo gigantesco. Às vezes, você só quer descobrir até onde aquela ideia pode chegar.

Hoje, vamos conversar sobre como pegar uma dessas ideias e começar a dar forma a ela.

Assim como conversamos em “Algumas coisas merecem sair da pasta de referências”, quando falamos sobre criar algo ou começar um novo projeto, não precisamos nos limitar apenas a ideias grandes. Usando o exemplo que dei no outro post, não precisa ser algo que vai parar em um museu um dia ou que será lembrado por décadas. Às vezes, começa simplesmente porque alguma coisa despertou a sua curiosidade e você pensou: eu gostaria de tentar isso.

Imagine, por exemplo, que você começou a se interessar por design. Vive assistindo a conteúdos sobre identidade visual, tem uma pasta no Pinterest cheia de referências e, depois de salvar a centésima identidade linda, surge aquele pensamento: eu quero tentar fazer uma também.

Ok. Mas… por onde começar?

É para isso que estamos aqui. Eu não vou falar exatamente o que você deve fazer, porque nem todo projeto é igual. Mas criei uma listinha de coisas que você pode explorar no seu próprio projeto para conseguir dar forma a ele.

Mas quais tipos de projetos estamos falando?

A resposta mais simples seria: todos!

Um projeto pessoal pode assumir praticamente qualquer formato. Você pode:

  • criar um aplicativo;
  • começar a criar conteúdo para as redes sociais;
  • montar um portfólio;
  • desenvolver uma identidade visual fictícia.

Pode ser digital, criativo, acadêmico, profissional ou simplesmente algo que você decidiu desenvolver por interesse próprio. O ponto em comum é existir uma ideia para a qual você olha e pensa: “isso tem potencial e eu gostaria de desenvolver algo assim.”

Antes de começar a pensar em etapas, prazos ou em tudo aquilo que você vai precisar fazer, acho interessante entender melhor a própria ideia. E, para isso, eu sempre sugiro pegar um papel e uma caneta ou qualquer lugar em que você goste de organizar seus pensamentos, e responder algumas perguntas:

  • O que eu quero criar?
  • Por que essa ideia me interessa?
  • O que eu gostaria que existisse no final?
  • Existe alguma coisa que quero aprender durante o processo?
  • Estou fazendo isso para mim, para outras pessoas ou para os dois?

Aqui vai uma dica: nesse primeiro momento, você não precisa ter uma justificativa completamente clara. Você não precisa fazer uma entrevista de emprego com a sua propria ideia. “Eu tenho curiosidade e gostaria de tentar” já pode ser uma resposta. Às vezes, a vontade de descobrir alguma coisa é justamente o que precisamos para começar.

Até aqui, poderíamos ter apenas um “eu gostaria de tentar isso”. Nesta etapa, queremos entender melhor o que exatamente esse “isso” significa.

Em vez de:

“Quero fazer uma identidade visual.”

podemos transformar em algo como:

“Quero criar uma identidade visual para uma cafeteria da minha cidade.”

Na primeira frase o sentimento de vontade toma conta. A segunda o processo já começa se mostrar, como o que vamos criar e para quem estamos criando.

E é justamente aqui que eu tomaria cuidado para não transformar esse primeiro projeto em uma lista enorme, como:

“Quero criar três identidades visuais neste mês de setembro.”

Você acabou de decidir experimentar identidade visual. Não precisa provar nada criando três projetos diferentes logo no primeiro mês.

Comece com uma. Entenda como você trabalha, quanto tempo aquilo exige, quais partes você gosta, onde encontra dificuldade e o que ainda precisa aprender. Depois, se sentir que consegue aumentar um pouquinho mais, podemos pensar em uma próxima meta.

Agora que já sabemos melhor o que queremos criar, chegou o momento de decidir até onde queremos levar esse projeto, pelo menos por enquanto.

Quando estamos animadas com uma ideia, parece que ela começa a se multiplicar e, quando vê, aquele projeto que começou pequeno já tem quinze partes diferentes antes mesmo de você ter começado a primeira.

Aqui, a intenção é descobrir qual é a primeira versão desse projeto que você realmente quer desenvolver.

Continuando com o nosso projeto de identidade visual:

Projeto: desenvolver a identidade visual de uma cafeteria.

Primeira versão: desenvolver o conceito, logotipo, paleta de cores, tipografia e algumas aplicações básicas.

Talvez, enquanto você desenvolve essa primeira versão, também tenha ideias de outras coisas que podem ser criadas álem do que você definiu inicialmente, isso é ótimo, anote essas ideias! Elas só não precisam fazer parte da primeira versão.

Agora já sabemos o que queremos criar e qual será o tamanho dessa primeira versão, mas ainda existe uma pergunta: Como vamos chegar até lá?

Continuando com o nosso exemplo, em vez de olhar para “criar uma identidade visual para uma cafeteria” como uma única tarefa enorme, podemos pensar em tudo aquilo que provavelmente precisará acontecer durante o caminho.

Nosso planejamento poderia ficar mais ou menos assim:

  • 1. Pesquisa: entender melhor como funciona o desenvolvimento de uma identidade visual.
  • 2. Conversa: conhecer melhor a cafeteria, entender o que a proprietária da cafeteria gostaria e quais são as necessidades do projeto.
  • 3. Referências: buscar inspirações e começar a entender possíveis caminhos para a identidade.
  • 4. Organização: reunir as informações e definir aquilo que queremos desenvolver.
  • 5. Criação: começar os primeiros testes de conceito, cores, tipografia e logotipo.
  • 6. Ajustes: observar o que funciona, fazer alterações e desenvolver melhor a proposta.
  • 7. Finalização: organizar a identidade e as aplicações que decidimos criar.

De repente, aquele “quero criar uma identidade visual” que parecia uma coisa enorme começa a ficar um pouquinho mais fácil de visualizar.

Esse é apenas um planejamento-base. Quando você começar a colocar a ideia em prática, pode perceber que algumas etapas precisam mudar e, se desenvolver outros projetos parecidos no futuro, pode voltar a esse planejamento e adaptá-lo.

Para mim, essa é uma das partes mais importantes de todo o processo: ter um lugar onde você consiga centralizar as informações do seu projeto.

E pensa no nosso projeto de identidade visual: até agora já temos pesquisas, referências, informações sobre a cafeteria, ideias do que queremos criar, etapas que precisamos cumprir e, daqui a pouco, teremos arquivos, testes e várias outras coisas surgindo pelo caminho.

Por isso, escolha um lugarzinho para centralizar o seu projeto. Pode ser um caderno, um Google Docs, uma pasta no computador, o Notion (meu queridinho) ou qualquer outro lugar que funcione para você.

E aqui eu quero deixar uma observação que considero importante: esse lugar não precisa ser bonito.

Eu sei que hoje parece que qualquer sistema de organização precisa começar com um caderno lindo ou um Notion perfeitamente decorado. Mas o que vale é: ele está funcional? Eu consigo encontrar aquilo que preciso aqui? Consigo entender o que já fiz e o que ainda preciso fazer? Se a resposta for sim, ele já está cumprindo sua principal função.

Depois você pode deixá-lo bonito também, se quiser (eu mesma provavelmente faria isso). Mas a organização precisa ajudar você a desenvolver o projeto, e não se transformar em outro projeto antes mesmo de você começar o primeiro.

Guarde alguns rascunhos, referências, versões anteriores, testes, decisões, alterações e até pequenas anotações sobre por que resolveu mudar alguma coisa. Não estou dizendo que você precisa guardar absolutamente tudo, mas aquilo que pode ser interessante consultar novamente merece continuar existindo.

Voltando à nossa identidade visual: provavelmente vamos fazer dezenas de testes. Em alguns, talvez mudemos apenas uma fonte ou uma cor. Em outros, podemos olhar para tudo e pensar: não gostei de absolutamente nada, vamos começar de novo. (isso é raro, mas acontece sempre) Agora imagina que você termina uma primeira proposta, não gosta dela, apaga tudo e começa outra. No meio da segunda versão, surge uma ideia que faria aquela primeira proposta ficar fantástica. Só existe um pequeno problema: você apagou tudo. Talvez consiga reconstruí-la de memória. Talvez lembre mais ou menos de como ela era. Ou talvez aquela versão tenha simplesmente desaparecido.

É por isso que eu gosto da ideia de registrar o processo.

E existe outro motivo para fazer isso: quando olhamos apenas para o resultado final, às vezes esquecemos completamente de tudo o que aconteceu até chegar ali.

O processo também faz parte do projeto.

Até aqui, estamos falando principalmente sobre desenvolver alguma coisa porque você teve uma ideia e decidiu explorá-la.

Mas, às vezes, aquele projeto pessoal acaba encontrando espaço também na nossa vida profissional.

Dependendo da sua área e da oportunidade, um projeto pessoal pode ajudar a mostrar muito mais do que apenas o resultado final. Ele pode apresentar seus interesses, habilidades, decisões, processo e até aquilo que você aprendeu durante o desenvolvimento.

Algumas semanas atrás, eu estava montando um portfólio para um voluntariado do qual tinha interesse em participar. Eu precisava apresentar alguns dos meus trabalhos e comecei a criar uma estrutura bem simples para organizar tudo aquilo.

Inicialmente, ela existia apenas porque eu precisava preencher um formulário de candidatura. Só que, enquanto montava meu novo portfólio, comecei a olhar para aquela estrutura e pensar em várias outras coisas que poderia fazer com ela. Foi aí que aquela estrutura que criei por necessidade começou a virar um pequeno projeto pessoal. E agora esse projeto chegou até aqui.

E foi justamente por isso que resolvi disponibilizá-lo junto com este post:

💙Acessar o Meu portfólio pessoal (Template Notion Gratuito)

O Meu Portfólio Pessoal é um template gratuito que criei no Notion para reunir projetos, aprendizados, cursos e experiências que também contam um pouquinho da nossa história.

Ele pode se tornar um portfólio profissional (como eu fiz) ou acadêmico, com tudo aquilo que você gostaria de apresentar para outras pessoas. Mas também pode ser só seu: um lugar para guardar as coisas que você fez, aprendeu e criou simplesmente porque gostaria de lembrar delas.

E agora?

Depois de todo esse planejamento, lembre-se: seu projeto pode mudar no meio do caminho. O planejamento existe para dar uma direção, não para prender a sua ideia. Você pode mudar etapas, diminuir o projeto, adicionar alguma coisa nova ou até descobrir que aquilo não era exatamente o que imaginava.

No post da semana passada, conversamos sobre tirar algumas ideias da pasta de referências. Hoje, fomos um pouquinho além e descobrimos o que fazer quando uma delas parece boa demais para continuar apenas por lá.

Você não precisa saber exatamente onde uma ideia vai chegar antes de começar. Talvez algumas delas só mereçam a chance de descobrir.

Post anterior

Que tal espalhar esse carinho por aí?

Se este espaço te fez bem, leve um pedacinho dele para as pessoas que você ama. Compartilhe com quem importa para você.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Relacionados

© 2026 Solaris Ateliê. Todos os direitos reservados.