Hoje em dia estamos sempre rodeadas por referências, coisas que outras pessoas criaram.
Abrimos o Pinterest e encontramos alguém fazendo um journaling maravilhoso. No Instagram, vemos uma roupa que alguém montou. Assistimos a um filme, ouvimos uma música, encontramos uma receita, salvamos um DIY… mas e se uma referência deixasse de ser apenas algo bonito que você salvou e se tornasse o começo de algo seu?
Ontem passei horassss buscando referências de páginas para journaling e foi, inclusive, por causa disso que comecei a escrever este post. Durante as buscas, salvei várias referências e, em algum momento, parei e pensei: quantas delas vão acabar esquecidas em alguma pasta depois daquele clássico “vou salvar isso e depois eu faço”?
E se, de vez em quando, no lugar do “depois eu faço”, viesse um “e se eu fizer isso hoje”?
Não vou falar que você deve criar algo, porque não é assim que funciona. Até porque transformar isso em mais uma obrigação acabaria completamente com o propósito deste texto.
Existe uma diferença entre pensar “eu deveria criar alguma coisa” e “eu estou com vontade de experimentar isso”.
Aqui iremos falar sobre a segunda opção.

Você não precisa fazer tudo que salva
Não estou falando que toda referência que você vê deve ser colocada em prática. Inclusive, recomendo mesmo que você não faça tudo. A última coisa que quero é transformar a sua pasta do Pinterest em uma gigantesca lista de tarefas.
Estou falando apenas daquelas coisas que você super tem vontade de fazer, mas que, por algum motivo, sempre acabam acompanhadas daquele pensamento: “Será mesmo que eu deveria fazer?”
Para essas, minha resposta é: sim! Faça, ou pelo menos tente.
Talvez você descubra algo novo que realmente gosta de fazer ou talvez descubra que aquilo parecia muito mais divertido quando outra pessoa estava fazendo. Você pode fazer uma vez e nunca mais querer repetir. Mas experimentar é justamente o que permite descobrir isso.
Inclusive, isso me lembra muito algo sobre o qual já falei aqui em um post do blog: se permita tentar (mesmo com medo)
Criar não precisa significar criar algo extraordinário
Quando falo sobre criar, não estou falando necessariamente sobre abrir um curso para ensinar um assunto no qual você é muito boa (apesar de isso também se aplicar, de certa forma).
Aliás, aqui vai uma forma mais ampla de coisas que às vezes criamos e nem pensamos nelas como uma criação:
- testar uma receita e mudar alguma coisa;
- montar um look;
- decorar seu caderno com adesivos;
- fotografar alguma coisa;
- fazer uma playlist;
Criar não se limita a grandes coisas, como artistas criando obras dignas de museus ou autores escrevendo histórias que vão marcar séculos. A criação também pode estar nas coisas mais comuns do nosso dia a dia.
Vamos lá, vai me dizer que aquele improviso que você inventou para lidar com uma janela quebrada não pode ser considerado uma forma de criar?
Uma referência é um ponto de partida, não uma receita
Tem vezes que imaginamos que, só porque alguém já criou alguma coisa, não podemos nos tornar criadores também. Só que uma criação não precisa ser feita completamente do zero. Você pode partir de algo que viu, personalizar, mudar, adaptar para aquilo que tem disponível e, ainda assim, criar alguma coisa sua.
Quando pesquisamos e encontramos uma referência na internet, no primeiro momento vem aquele pensamento: “que incrível”, “que legal”, “eu quero fazer isso”. Mas, passados alguns segundos, às vezes já surge outro: “mas eu não tenho isso, então não vou conseguir fazer”.
Mas e se você buscasse uma alternativa para aquilo que não tem?
Por vezes, sinto que só posso começar algo quando tiver tudo. Se quero aprender alguma coisa nova, parece que primeiro preciso montar toda a estrutura necessária para aquilo. Às vezes, antes mesmo de experimentarmos alguma coisa, começamos a achar que precisamos ter todos os materiais, ferramentas ou ingredientes que vimos outra pessoa usando.
Talvez você realmente precise comprar algumas coisas para começar, dependendo do que quer fazer, mas isso não significa que precisa ter tudo. Você pode começar com o que tem, adaptar o que for possível e descobrir durante o processo aquilo de que realmente precisa.
Aliás, nem tudo precisa ser extremamente fiel à referência. Ela pode ser um ponto de partida, não uma receita que precisa ser seguida perfeitamente.
- Você viu uma página de journaling e não tem aqueles adesivos? Use outros.
- Encontrou uma receita interessante, mas falta alguma coisa? Dependendo do ingrediente, pode existir uma substituição.
Um exemplo ainda mais simples é uma fotografia do céu que eu tirei. Ela é uma criação minha, porque eu duvido que alguém tenha tirado uma foto exatamente no mesmo lugar que eu, no mesmo horário, com o mesmo enquadramento e com todos os mesmos detalhes presentes naquela imagem. Milhões de pessoas já fotografaram o céu antes de mim, mas isso não faz com que a minha fotografia deixe de ser uma criação.

Você também pode fazer alguma coisa simplesmente porque deu vontade
Acho que esse é um ponto importante quando falamos sobre criar: nem toda criação precisa ter um destino. Você pode encontrar uma receita e querer descobrir qual é o gosto. Pode ver uma página de journaling e abrir seu caderno para tentar fazer a sua.
Não porque você deve transformar tudo aquilo que consome em alguma coisa produtiva, mas porque alguma coisa que você viu despertou a vontade de deixar de observar por alguns minutos e experimentar também.
Outro exemplo: quero assistir a um filme, escolho Ela Dança, Eu Danço e chega um momento em que eu simplesmente quero dançar. E por que não fazer exatamente isso?
Não precisa ser perfeito, não preciso saber dançar e nem decidir que, a partir daquele momento, a dança será meu novo hobby. Eu simplesmente posso gostar de fazer aquilo.
Não precisa ser perfeito para ser uma criação
E saiba que uma criação não precisa ser perfeita para ser considerada uma criação. Porque além de tudo, você investiu o seu precioso tempo fazendo aquilo, então ela não precisa ser descartada só porque não ficou exatamente como imaginou.
Você pode usar aquela primeira tentativa para melhorar sua técnica, caso queira continuar. Mas também pode não fazer isso. Talvez você faça um chaveiro meio torto, descubra que não gosta nem um pouco de trabalhar com miçangas e nunca mais queira fazer outro na vida. Tudo bem.
Nem toda experiência precisa terminar com você dominando uma nova habilidade. Às vezes, você simplesmente passou uma tarde fazendo algo diferente, se divertiu durante o processo e descobriu como aquilo funciona. Isso também é válido.

E se a gente transformasse isso em um bingo?
Inclusive, algo interessante que surgiu de todas aquelas pesquisas de páginas de journaling foi o bingo.
Então, aqui vai a ideia: crie o seu próprio bingo. Pegue uma página em branco e faça diversos quadrados, quase como um jogo de tabuleiro. Em cada quadrado, escreva alguma coisa que seria divertido fazer. E não precisa ser apenas sobre criar, pode colocar coisas para experimentar ou simplesmente consumir também, como:
- fazer uma receita nova;
- rever um filme favorito;
- finalmente fazer algo que está salvo no Pinterest;
- customizar alguma coisa;
- criar uma playlist;
- fazer alguma coisa pela primeira vez;
- fazer um DIY.
Conforme você vai realizando as coisas, vai marcando os quadradinhos até conseguir seu “Bingo!”. Não precisa levar isso tão a sério, pode ser apenas um jogo divertido para se jogar consigo mesma.
E esse é exatamente o Pin que encontrei no Pinterest e que lembrei enquanto estava escrevendo este post: Veja o Pin que inspirou essa ideia →
Tive essa ideia enquanto escrevia este post, então é claro que irei criar o meu próprio bingo.
Inclusive, se você quiser encontrar essa e outras referências de DIY que tenho salvado, deixei todas reunidas na minha pasta do Pinterest:

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