Por que gostamos tanto de criar outras versões de nós mesmas?

Está chegando a minha época favorita: Halloween. O engraçado é que nem sempre foi assim, e foi justamente por isso que me peguei pensando sobre esse assunto. Eu ainda não sei exatamente por que gostamos tanto de criar outras versões de nós mesmas e talvez seja justamente por isso que quis escrever sobre isso.

Antes, eu não me importava tanto com o Halloween. Queria comemorar? Óbvio! Mas também não era algo que me incomodava deixar passar batido. Até que tudo mudou há cinco anos, quando comemorei o Halloween pela primeira vez na escola em que estudava.

Em uma terça-feira qualquer, descobri que aquela era uma coisa que eu gostaria de comemorar sempre. E teve alguma coisa naquele dia que fez esse pensamento surgir. Talvez tenha sido procurar diversas fantasias no Pinterest, talvez tenha sido a insegurança que apareceu quando saí de casa e percebi que era a única pessoa fantasiada na rua, ou talvez tenha sido chegar à escola e encontrar todo mundo fantasiado, feliz e, acima de tudo, confiante. As pessoas falavam sobre como tinham feito suas fantasias, quem eram e por que tinham escolhido aquela personagem.

E aí eu pensei: eu estava insegura há exatamente uma hora e agora estou em um lugar onde ser diferente uns dos outros é justamente o ponto. Talvez o que tenha ficado comigo daquele dia não tenha sido apenas a fantasia ou a comemoração. Talvez tenha sido perceber como era divertido ter uma desculpa para ser outra pessoa por algumas horas.

Sobre a pergunta que me trouxe até aqui, bem… eu ainda não tenho uma resposta. Mas acho que existe algo muito humano em querer experimentar versões diferentes de nós mesmas. Em algum momento, posso querer ser a pessoa que só usa preto; em outro, posso querer usar todas as cores possíveis. E nenhuma dessas versões precisa anular a outra, porque nós não somos uma coisa só.

Talvez uma fantasia seja apenas uma versão mais explícita disso. Ela não significa que queremos deixar de ser quem somos ou que gostaríamos de ser outra pessoa o tempo todo. Às vezes, só queremos descobrir como seria viver daquela forma por algumas horas, sem precisar mudar tudo sobre nós mesmas.

Sei que o Halloween não é uma data tão comemorada aqui no Brasil, mas talvez seja justamente por isso que festas como Halloween, Carnaval, festas à fantasia e até cosplay consigam ser tão divertidas: por algumas horas, existe uma espécie de permissão coletiva para brincar com quem somos. E, pensando bem, fazemos pequenas versões disso em vários outros momentos também: quando mudamos completamente o cabelo, montamos um look que normalmente não usaríamos, viajamos para um lugar onde ninguém nos conhece, criamos personagens fictícios, jogamos The Sims ou simplesmente imaginamos: “Quem eu seria se…?”

Talvez seja por isso que eu continue gostando tanto do Halloween cinco anos depois. Durante um dia (ou talvez mais, depende de quantas dessas festas você comemora) ninguém estranha muito se você decidir aparecer como uma princesa, uma bruxa, uma personagem de filme ou qualquer outra coisa que conseguiu inventar na noite anterior. Pelo contrário: querem saber quem você é.

Só sei que, desde aquela terça-feira no ensino médio, o Halloween deixou de ser uma data que poderia passar batida para mim. Desde então, sempre que possível, comemoro e, infelizmente, continuo achando um absurdo termos apenas um por ano.

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