Esse post surgiu de uma conversa recente com o meu grupo de amigos que estavam comigo quando eu vivia tirando fotos. A pergunta que foi feita e na qual eu me baseio enquanto crio esse post é: “O que você busca ao postar fotos nas redes sociais?” Enquanto pensava sobre a resposta que eu daria, pensei que isso daria um belo post, e aqui estamos.
Não sei o porquê, mas a palavra “romantizar” é uma palavra que me traz sensações mistas. Ela me leva para dois lugares ao mesmo tempo. Vai de um lugar onde eu possa estar sendo grata para outro em que eu esteja “fingindo” algo. O motivo para isso é o quanto ela é usada de diferentes maneiras na internet hoje.
E ela tem todo um papel aqui, porque foi justamente através da fotografia que a minha relação com esses dois lugares mudou.
Minha relação com a fotografia
Quando eu era mais nova, eu amava tirar fotos. Eu tirava de tudo: céu, comida, gatos, cachorros, pessoas. O porquê? Principalmente porque eu estava naquela fase iniciante de usar as redes sociais, onde você quer postar todos os dias e estar presente, conversando e comentando coisas dos seus amigos…
Porém, conforme fui crescendo e o início das minhas redes sociais ficava para trás, fui percebendo que eu não era muito amante de postar nas redes. Poderia ser por outras mil razões, mas o motivo era simples: eu só não gostava. Me sentia muito pressionada a postar uma foto bonita, cheia de filtros, que me fazia ficar 3 ou 4 horas editando. Para, no final, parecer que eu não era mais eu mesma (não estou falando sobre Photoshop).
Eu digo mais no sentido de que, ao editar, eu pensava: “gostaria de tirar isso, porque não está bonito o suficiente” ou “não está Tumblr o suficiente”. E, assim, eu buscava filtros, removedores de objetos e, hoje, quando vejo essas fotos, vejo fotos normais, mas que, no início, não eram assim, porque eu as editei e apaguei as versões que não eram editadas.
Por isso, no momento em que eu entendi que não gostava disso, diminuí a frequência com que postava, assim como a frequência com que tirava fotos também.
Então, a mania (como dizia a minha família) de tirar foto de tudo e toda hora caiu drasticamente. Onde antes moravam 15 fotos sobre coisas aleatórias do dia, agora ficavam 2 ou nenhuma.
Com isso, eu reparei que tirava dezenas de fotos por dia porque queria mostrar para as pessoas nas redes sociais que eu estava vivendo a minha vida. O que não era nada errado. O problema era que isso fazia uma experiência que era prazerosa virar algo completamente editado para ser perfeito, algo que, no fundo, sempre me incomodou.

Fotografar para lembrar
Foi assim que, durante anos, eu comecei a buscar uma relação verdadeira com a foto que eu estava tirando e, após muitas buscas, eu finalmente encontrei: todas essas fotos que tirei na minha adolescência para postar nas redes sociais guardavam as minhas lembranças, porque eu (agora jovem adulta) olhava para elas e lembrava do que estava fazendo ou sentindo naquele exato momento em que aquelas fotos foram tiradas. E, acima de tudo, elas mostravam a minha adolescência.
E isso me abriu os olhos. Foi assim que o que eu fazia para “postar nas redes sociais” virou “vou tirar uma foto para guardar de lembrança”, porque agora toda foto que tenho na galeria tem o propósito de me fazer lembrar do momento que eu estava vivendo.
Não vou mentir, não tiro dezenas de fotos como antes, e eu ainda tenho um “bloqueio” quanto a isso (que estou tentando resolver, ok?). Mas a verdade é que, quando estou buscando uma foto específica e a vejo, penso no quanto sou grata por ter tirado aquela foto, porque isso é uma prova do que vivi.
Hoje penso que a fotografia (assim como quando eu era mais nova) tem um lugar muito especial no meu coração, e isso vem não só da forma como lidamos com a fotografia hoje, como algo que nos ajuda a mostrar a nossa própria evolução, mas também do amadurecimento que tive com o passar dos anos.
A minha galeria se inicia com uma pequena Lelê e chega até a Lelê jovem adulta, e isso é simplesmente maravilhoso.
Por isso, agora que “meio que voltei” a postar nas redes sociais para a Solaris, estou em busca de um equilíbrio entre “eu tiro foto porque quero postar” e “eu tiro foto porque quero guardar de recordação”. Por mais que todas as fotos, de certa forma, guardem uma lembrança, a verdade é que não é só isso: eu gosto de tirar fotos, apenas. Mas eu busco sempre lembrar que não preciso mostrar que estou vivendo para ninguém, assim como não preciso fazer uma ultra edição na foto só para ela ficar perfeita. Porque, só por ela guardar uma lembrança, ela já é especial para mim.
Como a fotografia nos faz observar a vida
O processo que você passa para tirar uma foto faz com que você inconscientemente passe a admirar a vida: você observa o momento em que está e, assim, pensa: “Vou tirar uma foto.”
E assim você começa a reparar em diversas coisas que antes inconscientemente ignorava, como a luz que está atingindo o rosto de maneira muito bonita, como a luz do sol reflete no mar e parece deixá-lo mais mágico e outras diversas coisas.
Esse é o poder da fotografia falando por si só. E talvez seja justamente aí que, para mim, a fotografia e a ideia de romantizar a vida se encontram.
Conclusão
O que eu quero com esse post é perguntar e te fazer refletir, assim como eu. Não só responder à pergunta “O que você busca ao postar fotos nas redes sociais?”, mas também entender e escutar a sua resposta para uma pergunta que tenho nesse post: qual é a sua relação com a fotografia?
O ponto é: não é preciso que você se limite na quantidade de fotos que tira ou pense que há algo errado se está tirando uma foto apenas porque quer postar nas redes sociais, porque não há problema nenhum nisso. O que eu quero é que você pare e pense no quanto aquela foto importa para você, porque, lembre-se: toda foto guarda uma lembrança.
